Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

 

Acção Didáctica

 

Rui Eduardo Paes Narração

Miguel Leiria Pereira Contrabaixo

 

Apresentação

 

O jazz tem “notas azuis” (“blue notes”, em Americanês) e tem por costume “jingar” (o seu típico balanço rítmico, designado por “swing” ou por “groove”), mas na essência desta música está a prática da improvisação. Improvisar, claro está, não é tocar à toa, e sim compor no próprio momento em que se toca, sem precisar da mediação do papel, do gravador ou do computador, as ferramentas que na actualidade substituíram a escrita.

Sem improvisação não há jazz, casos havendo em que o jazz sobrevive mesmo sem “swing” e sem as tais notas azuis, assim chamadas porque, regra geral, exprimem tristeza. A tristeza de um povo que foi levado de África e tornado escravo no Novo Mundo e que, depois de abolida a escravatura, continuou a sofrer por ter uma cor de pele diferente. Mas como a vida não se faz só de coisas más, a música pode ser violeta, laranja, verde-alface e grená.

 

Improvisar é o acto mais natural quando alguém pega num instrumento e se propõe fazer música, mas para se usar esse processo com alguma qualidade é preciso aprender como. Quando os homens e as mulheres da Pré-História começaram a produzir sons, não estavam ainda a improvisar, mas a imitar o que ouviam à sua volta: o piar dos pássaros, o característico som da água a correr num regato, o rugir do leão. Só depois descobriram que a partir desses sons podiam inventar outros, totalmente novos e abstractos, usando paus sobre troncos ocos de árvores mortas ou fazendo furos em ossos de animais e em canas.

 

Não é preciso saber apontar notas numa pauta para aprender a improvisar, assim como não é necessário passar pelo Conservatório para se tocar o mais fabuloso jazz. Pode-se começar do zero e é essa primeira abordagem que o Ora Vamos Lá Improvisar pretende proporcionar aos mais jovens. Por um lado, explicando o que é isso da improvisação e do que trata a música que a utiliza como principal recurso, o jazz; por outro, convidando as crianças a experimentarem por si mesmas, ou seja, envolvendo-as na criação de música improvisada. E isso porque fazer música não é nada do outro mundo. Até grandes e sábios músicos gostam por vezes de fingir que não sabem o que sabem. Como? Trocando o piano por uma porta, como aconteceu certa vez com Sun Ra, e podem ter a certeza que tal não se deveu ao facto (por ele jurado a pés juntos) de ter nascido em Saturno, ou os saxofones e os trompetes por estranhos instrumentos de cordas da China e da Índia que nunca tinham visto antes, como fizeram os membros da orquestra desse músico que parecia meio extraterrestre e meio faraó egípcio.

 

Vamos apresentar exemplos gravados do que aqui se fala, em CD ou DVD, e para que vejam que isto não é só conversa do crítico de música Rui Eduardo Paes, o músico Miguel Leiria Pereira fará demonstrações muito concretas com o seu violino gigante – um contrabaixo que ele transporta às costas de cidade em cidade e de concerto em concerto como se fosse um filho. Por sinal, ele andou no Conservatório e também toca música clássica, mas quando improvisa faz questão de esquecer o que lhe ensinaram e construir tudo de novo. O melhor será quando a miudagem, munida de pandeiretas, pauzinhos, sinos, triângulos e xilofones, for chamada a improvisar com ele.

 

Pelo meio contar-se-ão histórias de arregalar os olhos e os ouvidos, falar-se-á do sempre curioso e por vezes até bizarro mundo do jazz, onde existem domínios enigmáticos como “be bop”, “hard bop”, “cool”, “free jazz”, “fusion”, e serão apresentadas algumas figuras importantes deste género musical, como um senhor chamado Charlie Parker que gostava de canções de cowboys e telenovelas, ou outro ilustre que respondia pelo nome de John Coltrane e para quem a música era um louvor a Deus, tanto assim que, após a sua morte, foi canonizado como santo por uma igreja dos Estados Unidos.

 

Biografias

 

Rui Eduardo Paes

 

Autor de vários livros sobre as músicas criativas e improvisadas, sempre em relação com as demais artes e com temas da filosofia, da sociologia e da antropologia, é o editor da revista jazz.pt e escreve para diversas publicações europeias, a exemplo de Oro Molido (Espanha) e Revue & Corrigée (França), mantendo ainda um website pessoal com entrevistas, artigos e críticas de discos em Português, Inglês e Francês (http://rep.no.sapo.pt). Foi um dos fundadores da Bolsa Ernesto de Sousa, a cujo júri pertence como representante da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e integrou a Comissão de Apreciação dos Apoios Sustentados de 2005-2008 para a região de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto das Artes – Ministério da Cultura português, como especialista na área da música. Pertence à direcção da Granular (http://www.granular.pt), associação cultural sem fins lucrativos que tem como propósito promover o experimentalismo nas artes sonora e audiovisual portuguesas. Dele disse o crítico musical e músico britânico Dan Warburton (The Wire, Paris Transatlantic, Signal to Noise): “Paes é um exemplo de algo raro: um jornalista cujo trabalho é tão essencial e informativo quanto bem investigado e apaixonado.”

 

Miguel Leiria Pereira

 

Iniciou os estudos de contrabaixo no Conservatório de Lisboa com os professores António Ferreira e João Panta Nunes. Concluiu o grau de Bacharel na Academia Nacional Superior de Orquestra (ANSO) com o professor Bernard Madrennes e a Licenciatura na Escola Superior de Musica de Lisboa, sob orientação do professor Yuri Axenov. Com uma bolsa de estudos do Grupo Alcântara, teve aulas com o professor Gary Karr no seu Karrkamp da Universidade de Vitoria (Canadá), e como bolseiro do Ministério da Cultura estudou nos Estados Unidos, designadamente na West Texas A & M University (Texas) e na Butler University (Indiana), sob a orientação do professor David Murray. Em 1991 foi-lhe atribuído o 1º Prémio no Festival Carpe Diem, em 1994 o Prémio Jovens Músicos da RDP, e em 1998 foi considerado o segundo melhor solista do Butler University Concerto Contest (EUA, Indiana). Do trabalho como músico de orquestra destacam-se as suas colaborações com: Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Sinfonieta de Lisboa, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Amarillo Symphony (EUA, Texas) e Butler Symphony (EUA, Indiana). Além de ser professor de contrabaixo na Escola de Música do Orfeão de Leiria (EMOL), no Conservatório Regional de Setúbal, na Academia de Música de Lisboa e na Academia de Música de Alcobaça, as áreas musicais a que se dedica são o repertório para contrabaixo solo, música de câmara, orquestra, improvisação, jazz e outras formas de música criativa.



publicado por Portugal Jazz às 15:41
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